quinta-feira, 10 de abril de 2008

Sem forma


.:.

Na eternidade deste instante.

Cala a voz, voz errante.

Cala o corpo, hesitante.

Cala o homem, incompleto.

Na fixidez do ultimato.

Exalo o perfume do desiderato,

sentenciando, indignado:

você me mata por completo!

Caleidoscópio mitigado.

Sonhos liquidificados.

A vida é a catacrese

do meu sonho sem rosto.

Inanimado pelo desgosto,

cobrarei o imposto

de cada pífio centavo!;

de toda lágrima caída.

Agora pareço invisível fera.

E a imagem no espelho, terna,

é apenas o vulgo troféu

do desespero, oh vida cruel!

Já fui menestrel.

Debrucei-me ao violão.

Sendo a vida um cordão,

perdi-me nos seus elos.

Restaram os anelos,

todos eles soltos,

uns e outros amorfos,

e uma profunda solidão.

Nijair Araújo Pinto
Crato-CE, 7 de março de 2008
11h05min

Raios curvos



Olho suas fotos e sonho...

Um sonho lindo.

De magia, de olhares... De toques e de sussurros geniais.

Um sonho que não é somente meu, mas nosso.

(Amei! Você é ótimo!).

Quero você e esperarei até que se ache preparada para uma nova relação.

(E o que você tem vontade de fazer comigo?).

Tudo e nada. De algo tenha certeza: relações a dois se decidem a dois...

O tudo ou o nada dependerá apenas de nós e da nossa capacidade de sonhar.

E o que povoa seus sonhos agora, além do medo?

(Ser feliz.)

A felicidade, quando buscada acirradamente,

pode destruir a beleza da naturalidade.

Queira ser feliz;

lute por isso, aprendendo a dizer sim para as oportunidades,

abrindo seu corpo e sua mente para o novo.

(Obrigada por tudo, por você existir).

Muitas vezes perdemos as oportunidades por medo.

Por acharmos que está cedo;

por não nos sentirmos preparados,

mas pergunto:

Existe tempo para o amor?

Existe tempo para ser feliz?

Ou a nossa aparente infelicidade está na fuga alicerçada

nos nossos fracassos anteriores?

(Você parece buscar alguém...).

Não, não pense isso! Já tenho uma pessoa, sim.

O que busco é a mim mesmo. É minha própria descoberta.

E você, em meio a tantas e controversas incertezas,

surgiu como um raio, abalando tudo.


Autor: Nijair Araújo Pinto

Dois inteiros


Um outro ser,

do nada surgido,

fez sua acessão.

Se não posso ter

seu pleno gemido

choro, por que não?

Perdi o domínio

e meu declínio

dependeu de mim.

Devo sofrer, sei.

Sinto que errei...

Do início ao fim.

E o suor em confusão.

É dos corpos a comistão

desvairada do meu tropeçar.

Queria, sim, um adeus.

Seus olhos nos meus...

E depois recomeçar.

Autor: Nijair Araújo Pinto